segunda-feira, 18 de julho de 2011

Uma análise acerca do uso das Hipermídias na Educação

Nos últimos anos, tem-se presenciado um intenso debate acerca do uso das Hipermídias na Educação. Uma das questões emergentes desse movimento se refere ao tratamento dado às Tecnologias Digitais (TD). A partir da análise do artigo “O currículo multirreferencial: outros espaços/tempos para a educação online", considera-se relevante destacar a citação que a autora deste artigo citou de Santaella (2008): "Não podemos tratar as tecnologias digitais com o mesmo referencial que tratamos as mídias de massa. São tecnologias diferenciadas e, por isso, instituem outros processos cognitivos". 
Fonte desconhecida
Assim, utilizar os recursos informáticos (computador, softwares, Internet) não pode ser da mesma forma que utilizamos, por exemplo, os livros didáticos. Estes expressam a linearidade do pensamento, a qual é incompatível para orientar o uso das hipermídias. Essa análise tem sustentação em algumas pesquisas. Na pesquisa de Lawson e Comber (2000 apud KARSENTI et al., 2002), os autores constataram que a relação que os professores estabelecem com as tecnologias no plano pedagógico é o reflexo da relação estabelecida com o material didático em geral. Por outras palavras, os professores tendem a utilizar essas tecnologias da mesma forma que utilizam, por exemplo, os livros didáticos em sala de aula. Parafraseando Tardy (1976 apud PRETTO, 1996, p. 113), o uso do computador torna-se, então, o equivalente ao uso do livro didático.
Nesse sentido, D’Ambrósio (2004), argumenta que "o grande desafio que se apresenta para os educadores é a passagem de um pensamento linear, que domina as teorias mais prestigiadas de aprendizagem, para o pensamento complexo. Ou, em outros termos, incorporar, mutuamente, o raciocínio quantitativo e o raciocínio qualitativo".
Penteado (1999, p. 309) afirma que a incorporação das mídias informáticas na sala de aula "exige um período de transição, para que se estabeleça uma integração com as mídias anteriormente utilizadas e uma nova relação com o conteúdo”.
Em síntese, para que as hipermídias possam ser utlizadas de forma significativa na prática pedagógica, os professores necessitam estar dispostos a aprender de outras formas, diferentes daquelas decorrentes de sua formação anterior. Ainda, necessitam buscar outras formas de pensar acerca dos usos dos recursos hipermediáticos e explorar possibilidades para a sala de aulas, as quais não poderiam ser pensadas sem esses recursos. 

sábado, 16 de julho de 2011

Sugestão de Leitura

Olá, pessoal!

Segue sugestão de leitura: "Educação e Mídia: uma reflexão sobre os efeitos da Comunicação de Massa na constituição de subjetividades". O texto foi produzido no contexto do Curso de Aperfeiçoamento em Produção de Material Didático Digital para a Diversidade. Clique aqui para acessar o texto. Boa leitura!

sábado, 11 de junho de 2011

A oferta de EJA na modalidade de EAD: uma breve reflexão

Ao analisar as características inerentes à Educação à Distância e Educação de Jovens e Adultos, pode-se observar que estas modalidades revelam algumas afinidades. A EAD se caracteriza muito particularmente por sua flexibilidade espacial e temporal e, a partir desse aspecto, essa modalidade se apresenta como uma importante alternativa para atender a diversidade que caracteriza o público da EJA.
Com o advento dos avanços tecnológicos, a oferta de EAD cresceu significativamente nos últimos anos, porém observa-se a presença de muitos cursos de EJA em EAD de origem duvidosa. Pode-se perceber por meio da mídia a veiculação de diversas ofertas de EJA nessa modalidade, no entanto, muitas delas não explicitam se o curso ofertado é reconhecido ou não por órgãos competentes[1].
Sabe-se que o público da EJA é constituído, em sua maioria, por pessoas que, por alguma razão, não puderam frequentar a escola regular. Essas pessoas, normalmente, desenvolvem alguma atividade profissional, o que indica a pouca disponibilidade de tempo de dedicação aos estudos. Além disso, por não terem tido a oportunidade de escolarização prévia, tais sujeitos têm participação menos ativa na sociedade, estando mais subordinados à classe dominante.
Nesse sentido, a EAD pode ser concebida como estratégia de inserção desses sujeitos na sociedade, pois democratiza o acesso ao conhecimento e as possibilidades para o desenvolvimento de competências, dentre elas, o pensamento crítico. Assim, os educandos da EJA, munidos de uma capacidade de reflexão crítica, possuem mais condições de avaliar as ofertas de formação veiculadas pela mídia e decidir a melhor oferta: um curso reconhecido que aumente suas possibilidades de ascensão econômica, social e pessoal.


[1] Os cursos de EJA a distância devem ter autorização do órgão competente do respectivo sistema estadual de ensino. (Decreto nº 5.622/2005, art. 18).

sábado, 28 de maio de 2011

Desafios para a oferta, com qualidade, de cursos de graduação em EAD

Fonte desconhecida
Duas razões me motivaram a optar por escrever sobre os desafios para a oferta, com qualidade, de cursos de graduação em EAD. A primeira se deve pelo fato de estar atuando como Tutor Presencial de um Curso de Licenciatura em Matemática a Distância. A segunda se deve ao tema que será abordado na Jornada Virtual ABED de EAD (JOVAED): “O Aprendiz de EAD no Brasil – Quem é, do que Precisa?”.
Nos últimos dez anos, observou-se um acelerado crescimento do número de alunos matriculados na modalidade de EAD. Embora esse crescimento possa indicar um sucesso do poder público no incentivo do desenvolvimento e da veiculação de programas de ensino a distância, conforme estabelecido pela LDB atual, surgiram alguns problemas relacionados à infra-estrutura, planejamento, gestão e aspectos pedagógicos do curso em EAD.
Nesse sentido, no contexto da EAD, há o desafio de articular de forma equilibrada a relação quantidade-qualidade. Quando se trata em qualidade de um curso, isso significa levar em consideração as necessidades do aluno, ou seja, o seu perfil (hábitos de estudo, formas de comunicação, estilo de aprendizagem, contexto sociocultural). Uma das exigências atuais é a de que as práticas pedagógicas se desenvolvam a partir dos saberes dos sujeitos e, nessa ótica, tal exigência se aplica também para a EAD, reforçando, então, a relevância de que os cursos precisam “conhecer ao máximo seus alunos”, como colocou Fredric Litto na apresentação do JOVAED 2011.

Mitos, verdades e desafios da Educação à Distância

Fonte desconhecida
Olá, pessoal!

Depois de um bom tempo sem postar, espero finalmente conseguir retomar meu projeto neste blog! E para recomeçar a nossa discussão, trago uma reflexão que surgiu a partir do comentário de uma colega de um curso que estou participando atualmente. Ela apontou para um aspecto importante acerca do perfil do aluno em EAD. 
Considero que essa modalidade não é para qualquer um. Porém, parece-me que muitos alunos ainda carregam consigo o mito de que estudar nessa modalidade é mais fácil, mais rápido e mais barato. Um aluno que depende muito das intervenções e ações do professor, não tem autonomia e não domina satisfatoriamente o uso do computador e Internet terá muito mais dificuldades e, assim, menos possibilidades de sucesso em cursos à distância.
Nesse sentido, é importante que o aluno se informe sobre as características e exigências de cursos dessa natureza, ou seja, que conheça os mitos, verdades e desafios que cercam a EAD. Segue, então, a recomendação de dois interessantes textos que tratam desses elementos: Educação a distância vale a pena? e Desvendando os 10 mitos que rondam o e-learning.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Uso pedagógico das Tecnologias Digitais

          Como primeira publicação deste blog, inicio a discussão a respeito do uso pedagógico das Tecnologias Digitais. São várias as tecnologias disponíveis tanto para a educação presencial quanto para a Educação à Distância (EAD). Destaco algumas delas: Fórum, Bate-papo (chat), Webquest, Hot Potatoes, Blog, Wiki e Objetos de Aprendizagem (OA). Tais recursos podem ser interessantes para desenvolver práticas inovadoras para o ensino e aprendizagem da Matemática, as quais serão apresentadas ao longo deste post.


 
1) Fórum
          É uma ferramenta de comunicação assíncrona, isto é, um recurso que permite apresentar questionamentos, opiniões, ideias sem a necessidade de todos os participantes estarem conectados no mesmo local e instante. O fórum funciona da seguinte forma: um participante insere um tópico, geralmente, uma pergunta ou problema e, após, os usuários respondem a esse tópico e, também, podem responder aos comentários de outros participantes.
          Para as aulas de Matemática, o uso do fórum pode ser interessante para realizar atividades de resolução de problemas. É o que fez Machado (2007) em sua pesquisa, a qual ilustra muito bem o potencial pedagógico do uso de fórum nas aulas de Matemática. Esta pesquisa culminou em uma dissertação de mestrado intitulada "Fórum de discussão como ferramenta de auxílio à resolução de problemas", disponível em: https://memphis.ulbranet.com.br/BIBLIO/PPGECIMM068.pdf.



2) Bate-papo (chat)


          Diferentemente do fórum, esta ferramenta se caracteriza por ser síncrona, ou seja, todos os participantes devem estar conectados no mesmo local e instante. O chat pode ser concebido como um fórum online. Algumas vantagens deste recurso em relação ao fórum podem ser citadas, a saber: dinamismo; retorno imediato de respostas; interação; aproxima os integrantes de uma comunidade; Brainstorming (tempestade de ideias).
          Se há vantagens, inevitavelmente há desvantagens, tais como: dispersão do tema; dificuldades para acompanhar o debate devido à rápidez com que a questões são colocadas; dificuldades na organização das falas; grupos grandes de participantes (mais de 30) prejudicam a qualidade do bate-papo; brincandeiras entre os integrantes.
          Para as aulas de Matemática, o chat pode ser utilizado como um recurso de apoio para sanar dúvidas dos alunos, permitindo que o professor possa atender suas necessidades mais específicas. É uma oportunidade de atendimento individualizado, o que em sala de aula, geralmente com muitos alunos, torna-se difícil.
          Como a Web 2.0 é um mundo sem fronteiras, tudo está, praticamente, em nosso alcance. Assim, há bom e mal uso das tecnologias disponíveis como ilustra, por exemplo, o vídeo abaixo:




3)  


          Segundo Bernie Dodge, webquest é uma atividade de aprendizagem baseada na pesquisa, em que todas ou partes das informações a serem utilizadas nessa atividade são provenientes da Internet. É uma atividade previamente elaborada pelo professor que, após, aplica com seus alunos. Uma webquest é composta de alguns itens básicos, tais como:
1. Introdução
2. Tarefa
3. Processo
4. Recursos
5. Avaliação
6. Conclusão
7. Créditos

          Seguem abaixo dois exemplos de webquests que foram utilizadas com meus alunos:


Entrevista com Bernie Dodge




Alguns sites interessantes sobre webquest:








4) Blog
         
          Certamente, o blog é a tecnologia digital mais conhecida dos cibernautas. Devido à facilidade de acesso e de entendimento da estrutura de um blog, esse recurso, cada vez mais, vem ganhando adeptos.  Para quem não sabe o que é blog, segue sua definição: são páginas da Internet que apresentam registro diário sobre assuntos de interesse do autor (blogueiro). Uma das características do blog é a organização cronológica das mensagens, mais conhecidas como post. Um exemplo de blog é este, o qual você está lendo nesse momento.
          No vídeo a seguir, são explicados com clareza o funcionamento e vantagens de um blog, além de sugerir sites gratuitos para criá-lo.




          Como sugestão de leitura, indico o artigo "Sete motivos para um professor criar um blog". Para acessá-lo, clique aqui. Tenho certeza de que, após você ler este artigo, estará motivado(a) a criar um. Depois, conte-me como foi essa experiência.
          Para as aulas de Matemática, o blog pode ser utlizado, por exemplo, como um caderno virtual no qual o aluno registra as observações mais importantes da aula assistida. É uma forma de exercitar o aluno a pensar sobre suas observações, estimulando-o à metacognição: pensar sobre o seu pensar. Esse estímulo se faz necessário, pois uma das competências exigidas pelo mundo pós-moderno é o aprender a pensar para a resolução de problemas pertinentes.


5) Hot Potatoes



          Hot Potatoes é um programa que conta com seis ferramentas para criação de exercícios, tais como: palavras cruzadas, questões de múltipla escolha, atividades de completar lacunas e ordenar palavras. No site do programa (clique aqui para acessá-lo), você encontrará informações sobre outras atividades que podem ser elaboradas, download e um tutorial em português do software.
          Como exemplo de uma atividade de Matemática criada por meio do software Hot Potatoes, acesse aqui


6) Wiki



          A palavra Wiki possui origem havaiana e significa "rápido". Assim, podemos ter a ideia de que essa tecnologia permite realizar rapidamente alguma atividade. Mais especificamente, esse recurso permite criar contéudos rápidos com a colaboração dos usuários da Internet. Em outras palavras, Wiki é um conjunto de páginas da Internet conectadas entre si, as quais podem ser visualizadas e (re)editadas por qualquer usuário.
          Valente e Mattar (2007) apresentam uma definição mais detalhada de Wiki: "é um software colaborativo que permite a edição coletiva dos documentos de uma maneira simples. Em geral, não é necessário registro, e todos os usuários podem incluir, alterar ou até exlcuir textos, sem que haja revisão antes de as modificações serem aceitas" (p. 102).
          Um exemplo muito conhecido de ambiente Wiki é a Wikipédia. "Criada como uma enciclopédia virtual em que os verbetes são construídos e atualizados livremente pelos visitantes, ela se tornou uma referência de consulta, tendo sido incorporada pela poderosa ferramente de busca do Google" (VALENTE; MATTAR, 2007, p. 103).
          Seguem sugestão de três ferramentas disponíveis na web para a criação de Wikis são: Pbwiki; MediaWiki; Wikispaces.


7) Objetos de Aprendizagem (OAs)

          Atualmente, não há um consenso entre os autores sobre a definição de Objetos de Aprendizagem. Em entrevista com Anna Christina Aun Azevedo Nascimento, integrante da equipe que administra o Repositório de Objetos Educacionais e o Portal do Professor, na Secretaria de Educação a Distância do MEC, a entrevistada afirma que "a maioria dos autores concorda que um objeto de aprendizagem deve apresentar as seguintes características: ser um recurso educacional digital; permitir flexibilidade de uso; e ter diferentes tamanhos (granularidade) e formatos de mídia".
          Dessa forma, OA pode ser entendido como qualquer recurso digital que possa reutilizado no processo de ensino e aprendizagem. Como exemplo de OA para Matemática, acesse aqui. Você poderá encontrar outros OAs ainda no site do National Library of Virtual Manipulatives. Abaixo seguem ainda outros sites que sobre OA.

          Para finalizar, sugiro a leitura do livro "Objetos de aprendizagem: uma proposta de recurso pedagógico", disponível em: http://www.oei.es/tic/livro.pdf. Boa leitura! 



Referência:

VALENTE, C; MATTAR, J. Second Life e Web 2.0 na educação: o potencial revolucionário das novas tecnologias. São Paulo: Novatec, 2007.


OBSERVAÇÃO: participem da enquete ao lado: "Quais das Tecnologias Digitais você considera mais interessante para utilizar nas aulas de Matemática?" Desde já, agradeço sua participação!